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Entrevista com o Professor Dr. Carlos Gomes

 

Dezembro 2009

 

 

1) Como Conheceu a Estratégia WebQuest?

Na preparação de uma disciplina no âmbito da metodologia do ensino em 2001 encontrei algumas referências sobre a WebQuest. Desde então que tenho feito uso dela no âmbito da formação inicial e contínua de professores.


2) O Que você acha da Estratégia WebQuest Para os Professores e Para os Alunos?

Entendo que pode ser uma boa forma de trabalho, e desenvolvida em grupo ou individualmente, como estratégia, a WebQuest constitui um momento de aprendizagem para os professores e para os alunos. No entanto, ela só fará sentido do ponto de vista pedagógico se for devidamente integrada no currículo. O aluno pode construir e/ou reestruturar o conhecimento prévio através de múltiplas oportunidades e processos de raciocínio, de forma eminentemente cooperativa, questionando e envolvendo-se com os colegas no processo de construção do conhecimento. Desta forma, a WebQuest potencia o desenvolvimento da autonomia dos alunos perante a aprendizagem sendo reconhecida como uma ferramenta útil para o ensino.

Gostaria de realçar um aspecto que me parece ser importante na formação actual do indivíduo e no desenvolvimento de um espírito de cidadania. É a ajuda que o uso das TIC pode dar na construção da identidade do indivíduo segundo a dimensão pessoal, relativo ao seu espaço sócio-cultural e à sua identidade, contribuindo para uma sociedade mais tolerante, favorável à inclusão e à multiculturalidade, ou seja, uma sociedade mais humanizada. A estratégia WebQuest pode ajudar professores e alunos a formar a sua própria identidade enquanto cidadãos, uma vez que constitui uma prática formativa/educativa que pode ser desenvolvida em projectos de aprendizagem de contexto real. Sabemos de antemão que as situações problema assentes em casos concretos são aquelas que melhor contribuem para uma aprendizagem efectiva.

 

3) Conte-nos um pouco sobre a sua Experiência com as WebQuests

Uso-as fundamentalmente na formação inicial e contínua de professores de ciências. Os futuros profissionais ou os profissionais em exercício aplicam-nas depois em contexto de sala de aula. Normalmente, sigo o seguinte procedimento: num primeiro momento, que tem como principais objectivos pôr os formandos em contacto com a estratégia WebQuest e confrontá-los com tarefas de modo a poderem reflectir, adquirirem e/ou aprofundarem conhecimentos sobre o uso da Internet em contexto educativo, contribuindo para desenvolver competências com vista a uma leitura crítica da implementação das TIC. Depois passam por experienciar em contexto de formação, a realização de uma WebQuest, como por exemplo: (http://www.uac.pt/~cgomes/cgomes/Outros/SP/SEMINARIO/Sumarios/S03-04/Janeiro/Doc.5/INDEX.HTM), que permite um primeiro contacto com esta estratégia e contribui para identificar quais as mais-valias e eventuais dificuldades na sua execução.

O segundo momento tem como principais objectivos a elaboração e respectiva aplicação por parte dos estagiários das WebQuest em contexto de sala de aula e posterior análise e reformulação.

A prática que tenho tido com este tipo de metodologia utilizada tem sido muito positiva, na medida em que permite aos formandos uma maior segurança na aplicação da estratégia em contexto de sala de aula, contribuindo, para valorizar o acto educativo com o aumento da “qualidade da experiência”. 

4) A Que tipo de público foi aplicado? E quais os resultados obtidos?

O principal público tem sido os futuros professores, professores em serviço e alunos das escolas.

 

5) Quais as principais dificuldades desta Estratégia?

No processo de formação, as duas principais dificuldades encontradas passam pela gestão do tempo na realização da tarefa e em seleccionar informação adequada. Em relação à aplicação em contexto de sala de aula, identificam-se dificuldades ao nível da técnica, ou seja, dos conhecimentos necessários para a utilização dos recursos tecnológicos. Também ao nível das questões pedagógicas, verificamos, dificuldades que os formandos sentem em saber se os alunos estão ou não a adquirir conhecimentos.

Em relação aos alunos das escolas, uma grande parte tem dificuldades em executar as tarefas sem recorrer à ajuda do professor, o que pode ser um indicador de um ensino ainda muito centrado no professor. Por outro lado, destacam-se dificuldades de análise, síntese e escrita de textos.


6) O Que você acha da integração das ferramentas da Web 2.0 nas WebQuests?

Estou consciente de que a integração de ferramentas como a Web 2.0 nas WebQuest podem potenciam a comunicação, interacção, colaboração e socialização, contribuindo para a promoção de uma aprendizagem em contexto.

 

7) Na sua opinião quais as perspectivas de futuro das WebQuests?

A perspectiva será no sentido de serem cada vez mais divulgadas e utilizadas junto da comunidade educativa. Com o avanço da tecnologia e do aparecimento de novas formas de comunicação, vamos passar pela exploração e integração de novas ferramentas, como é o caso da Web 2.0, que vão trazer novas possibilidades de interacção, que por sua vez, permitirão o aparecimento de novas estratégias de ensino e aprendizagem e possivelmente novas formas de exploração da WebQuest.

 

Carlos João Gomes: é Professor Auxiliar no Departamento de Ciências da Educação da Universidade dos Açores. A sua actividade de investigação centra-se, essencialmente, nas áreas da formação de professores em geral, e em particular com a formação de professores de ciências; nas aplicações das tecnologias de informação e comunicação, particularmente no domínio do ensino; na divulgação da ciência; na educação ambiental e na educação para a sustentabilidade.