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Entrevista com a Professora Dra. Lurdes Lima
Dezembro 2009
1) Como Conheceu a Estratégia WebQuest?
Conheci as WebQuests pouco tempo antes de me inscrever no Mestrado, quando efectuava umas leituras sobre a utilização das tecnologias no ensino/aprendizagem da Matemática, na Revista Noesis. Chamou-me a atenção a sua estrutura e principalmente a sugestão do autor de que era aconselhável para quem não dominava a Internet pois ajudavam o professor a fazer a transição fácil para a utilização da Internet na aula e podiam ser especialmente úteis para os que não tinham experiência na área das tecnologias que era o meu caso. Na opinião desse autor, a utilização das WebQuests não implicava uma mudança radical no funcionamento tradicional de uma aula, ou seja, não implicava um corte total e definitivo com o tipo de actividades que os professores estão habituados a utilizar o que me dava um sentimento de segurança. Fiz várias pesquisas e encontrei WebQuests construídas em oficinas de formação no site da Universidade de Évora, um artigo bastante apelativo da Doutora Vicência Maio e colegas da mesma Universidade e na Escola do Futuro USP - Brasil.
2) O Que você acha da Estratégia WebQuest Para os Professores e Para os Alunos?
Quando decidi utilizar WebQuests no desenvolvimento do trabalho empírico da minha tese de mestrado optei por construir uma WebQuest o que me deu bastante trabalho mas também muita alegria com o produto final obtido. Faltava experimentar. Devo dizer que a experiência correu muito bem e, na altura, me satisfez bastante bem como à professora que a implementou. Posso confirmar a opinião do autor referido no ponto anterior acerca da ponte que as WebQuests permitem efectuar entre o ensino tradicional e a utilização das Tecnologias de Informação e comunicação.
Foi uma experiência bastante motivadora para os alunos tanto pela estrutura da Webquest como pelo conteúdo lá colocado e que envolvia utilização de materiais manipuláveis, pesquisa sobre História da Matemática. Posso afirmar que grande parte do sucesso desta experiência se ficou a dever ao trabalho colaborativo já existente na turma e à dinâmica de sala de aula que a professora implementava nas restantes aulas e que foi potenciada com a utilização da WebQuest. Depois da pesquisa efectuada e dos resultados obtidos na tese de Mestrado eu passei a falar das WebQuests como uma estratégia pedagógica. No entanto esta classificação foi alterada com a pesquisa efectuada e os resultados obtidos na tese de doutoramento passando a olhar as WebQuets como um dispositivo pedagógico e de diferenciação pedagógica.
3) Conte-nos um pouco sobre a sua Experiência com as WebQuests
Como só consegui fazer a experiência com uma WebQuest no mestrado decidi investigar a fundo a sua utilização em contexto de sala de aula mas tanto com WebQuests já construídas e existentes on-line como ensinando professores a construí-las e a utilizá-las nas suas aulas. Foi assim que se desenvolveu o trabalho empírico da minha tese de doutoramento. Para além disso faço formação contínua de professores e sempre que possível dou-as a conhecer.
4) A Que tipo de público foi aplicado? E quais os resultados obtidos?
No Mestrado utilizaram-na alunos e do ensino secundário (10º ano de escolaridade, em Matemática). No doutoramento utilizaram-nas alunos do ensino básico em Ciências Naturais, 8º ano, em Matemática, 7º ano e Biologia e Geologia, 12º ano. Foram resultados algo diferentes dos obtidos na minha tese de mestrado mas também foram diferentes entre as turmas que realizaram a experiência aquando do doutoramento. Isto porque concluímos que, no estudo efectuado, as características dos alunos tinham influência na prática pedagógica dos professores. Assim, se os alunos não são problemáticos a prática pedagógica dos professores está centrada em pedagogias invisíveis, permitindo que as interacções sociais marquem os processos de aprendizagem, haja recontextualização e reconfiguração do discurso pedagógico, se respeite as vivências dos alunos, se desenvolvam competências para além das relacionadas com o saber escolar. Ou seja, as Webquests são utilizadas como dispositivos pedagógicos e de diferenciação pedagógica. Se os alunos são problemáticos ou têm problemas disciplinares a prática pedagógica dos professores está centrada em pedagogias visíveis, na transmissão do currículo prescrito a nível nacional, na homogeneização dos saberes produzidos na aula. Ou seja, as WebQuests estão ao serviço dos velhos modelos didácticos.
5) Quais as principais dificuldades desta Estratégia?
Penso que o facto de temos uma estrutura curricular disciplinar tem muita importância pois é difícil conseguir-se um trabalho colaborativo dos professores que, por sua vez, parece-me ter influência no comportamento dos alunos e limita a visão articulada dos conteúdos. Ou seja, torna-se difícil o trabalho de projecto e, consequentemente, a construção do conhecimento global por parte do aluno. Por outro lado são também referidas, muitas vezes, dificuldades logísticas (salas disponíveis, devidamente equipadas e com apoio técnico).
6) O Que você acha da integração das ferramentas da Web 2.0 nas WebQuests?
Dado que as assumo como um dispositivo pedagógico e de diferenciação pedagógica, seria estranho para mim que as WebQuests não integrassem os instrumentos utilizados na sociedade de Informação e Comunicação (não quer dizer que se utilizem todos) e que estão em constante evolução. Considero, portanto, que será uma evolução natural dentro da estrutura das WebQuests.
7) Na sua opinião quais as perspectivas de futuro das WebQuests?
Considero que as WebQuests estão muito divulgadas e tiveram uma boa aceitação por parte dos professores dos níveis de ensino básico e secundário, apesar de não estar muito divulgada a minha perspectiva de considerar as WebQuests enquanto dispositivo pedagógico e de diferenciação pedagógica. Prevejo um aumento substancial do recurso a este dispositivo devido à transformação que está a decorrer nas escolas, a nível Nacional, tanto na transformação das salas de aula como no seu apetrechamento. Quanto ao ensino superior, em Portugal, não são muito utilizadas talvez porque não as haja já construídas para as diferentes áreas. Penso que esse será o próximo passo e que o poderemos dar procurando o conhecimento que nos pode ser facultado por professores de Instituições Superiores Brasileiras que já as estão a utilizar.
Lurdes Lima: Doutora em Ciências da Educação - FPCE-UP (2007), Mestre em Educação, especialização em Supervisão Pedagógica em Ensino da Matemática pela Universidade do Minho (2002), Licenciatura em Ensino de Matemática e Desenho pela Universidade do Minho (1982). É professora de quadro definitiva na Escola S/3 Condes de Resende.