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Entrevista concedida pela Professora Daniela Salé
Setembro 2009
1) Como conheceu a estratégia WebQuest?
O primeiro contacto com WebQuest´s aconteceu durante a frequência de um Curso de
Verão direccionado para professores dos ensinos Básico e Secundário. O curso
decorreu no ano de 2005 e foi organizado pelo Departamento de Matemática,
Ciências e Tecnologia da Escola Superior de Educação de Viana do Castelo. As
WebQuest’s foram objecto de exploração no módulo “Tecnologias de Informação e
Comunicação”, sob a orientação da formadora Filomena del Rio, aquando da
produção de materiais multimédia com fins educativos. Este cenário despoletou a
minha curiosidade e a vontade de continuar a aprofundar o conhecimento sobre o
papel das WebQuest’s nos ensinos Básico e Secundário e, em particular, na
educação em Ciências.
2) O Que você acha da Estratégia WebQuest Para os Professores e Para os Alunos?
As WebQuest’s poderão ser uma via promotora do desenvolvimento das competências
propiciadas pelas estratégias de resolução de problemas, de aprendizagem
cooperativa, de pesquisa de informação e, ainda, de aprender a aprender. Só
WebQuest’s que cumpram os princípios das estratégias atrás enumeradas
contribuirão para o desenvolvimento de alunos capazes de lidar com a difusão
acelerada da informação que caracteriza a sociedade actual e de a transformar em
conhecimento.
As WebQuest’s são um tipo de actividades didácticas que estão, entre outros, à
disposição dos professores e dos alunos e que devem ser enquadradas num contexto
de ensino-aprendizagem assente na pluralidade metodológica. Assim, revela-se
importante a utilização de actividades didácticas de natureza diversificada que
propiciem o desenvolvimento de competências várias.
A exploração das WebQuest’s não está desligada da confrontação de perspectivas,
do debate de ideias, actividades que estarão dependentes do papel exercido pelo
professor pois é ele que tem a capacidade de criar a dinâmica educativa
desejada. O papel do professor é fundamental para assegurar o cumprimento dos
princípios educacionais que subjazem às WebQuest’s.
A exploração educacional de WebQuest’s dever-se-á processar de uma forma
gradual, isto é, começar com WebQuest’s que incluam algumas directrizes que
orientem o aluno no trabalho a desenvolver de modo a familiarizar-se com o tipo
de estratégia envolvido. Posteriormente, dever-se-á implementar WebQuest’s com
um maior grau de abertura consubstanciado na possibilidade de uma maior tomada
de decisão por parte do aluno acerca do papel a assumir e das actividades a
realizar. Por exemplo, numa primeira fase, o problema poderá ser fornecido e
numa fase posterior poder-se-á solicitar ao aluno a sua definição a partir da
análise de um dado cenário. O diferente grau de abertura das WebQuest’s poderá
ainda ser exemplificado tomando como referência os objectivos de aprendizagem.
Considerando que é importante que os alunos tenham consciência das aprendizagens
a desenvolver/desenvolvidas, então é necessário enumerar estes objectivos e/ou
envolver os alunos na sua análise através do estabelecimento da relação entre
eles e as tarefas desenvolvidas. Um maior grau de envolvimento dos alunos
implicará que a definição dos objectivos de aprendizagem seja efectuada por eles
a partir das tarefas concretizadas.
É também importante que as fontes de informação online assinaladas nas
WebQuest’s veiculem uma imagem da natureza do conhecimento e dos seus processos
de construção consentâneos com as perspectivas epistemológicas defendidas na
actualidade. É igualmente importante que os alunos ao longo do seu percurso
académico acedam a outras fontes de conhecimento e tomem consciência da sua
natureza pois a actividade dos cientistas/dos investigadores não está limitada a
uma fonte única.
3) Conte-nos um pouco sobre a sua Experiência com as WebQuest’s
Conforme referi anteriormente, adquiri os primeiros conhecimentos acerca das
WebQuest’s através de um curso de formação de professores. Posteriormente,
construí duas WebQuest's, uma direccionada para o ensino da Química e a outra
para o ensino da Matemática. A primeira WebQuest - Química do Perfume (http://quimicaperfumewq.com.sapo.pt/)
– foi construída por mim e pelas minhas colegas Ana Teresa e Ana Gabriela no
âmbito da unidade curricular “Química e Sociedade” do Mestrado em Educação, área
de Especialização em Supervisão Pedagógica em Ensino das Ciências, da
Universidade do Minho. A segunda WebQuest - O consumo no bar da tua escola (http://wqestatistica.com.sapo.pt/)
- foi desenvolvida no âmbito da Oficina de Formação “Ensino da Estatística
através de Investigações Estatísticas”, promovida no ano de 2008 pelo
Departamento de Metodologias de Educação do Instituto de Educação e Psicologia
da Universidade do Minho.
O principal desafio na construção destas WebQuest’s esteve na idealização das
tarefas para serem realizadas pelos alunos.
Recentemente, a minha experiência neste campo tem estado focalizada na análise
do valor educativo de WebQuest’s destinadas ao ensino das Ciências no 6º ano de
escolaridade do 2º ciclo do ensino Básico. Este enfoque tem exigido uma reflexão
acerca do conceito de WebQuest. A perspectiva que tenho vindo a desenvolver
implica que a WebQuest inclua tarefas orientadas para a assunção pelo aluno de
um papel de intervenção real e efectivo no processo de ensino-aprendizagem.
Neste sentido, certamente que agora introduziria algumas alterações nas
WebQuest’s por mim já construídas.
4) A que tipo de público foi
aplicado? E quais os resultados obtidos?
A actividade profissional desenvolvida até ao presente momento não me tem
possibilitado a implementação de WebQuest’s em ambiente de sala de aula.
Em relação à análise de WebQuest’s que tenho vindo a desenvolver, penso que é
prematuro estar, neste momento, a tecer considerações definitivas. No entanto,
constato que a estrutura das WebQuets’s nem sempre propicia o desenvolvimento
das competências inerentes à resolução de problemas, à aprendizagem cooperativa
e à pesquisa de informação. As aprendizagens nestes domínios poderão ser
potencializadas com a promoção do desenvolvimento de competências de aprender a
aprender.
5) Quais as principais dificuldades desta Estratégia?
Apesar de ainda não ter implementado WebQuest’s em ambiente de sala de aula,
penso que os principais factores de constrangimento à sua implementação estarão
relacionados com: (1) o controlo do tempo pelos alunos na consecução das várias
etapas; (2) a ausência de familiarização dos alunos com o tipo de estratégia
subjacente às WebQuest’s e, em particular, com tarefas de verdadeira pesquisa de
informação, isto é, tarefas que implicam a selecção e organização da informação,
conduzindo, assim, à transformação da informação em conhecimento.
A ausência do apetrechamento generalizado em recursos informáticos nos vários
espaços de uma escola e a ausência de ligação à Internet são factores de
natureza logística que seguramente dificultarão o uso educativo de WebQuest’s ou
de outras actividades didácticas que também exijam um suporte informático.
6) O Que você acha da integração das ferramentas da Web 2.0 nas WebQuest’s?
A integração das ferramentas da Web 2.0 nas WebQuest’s será uma mais-valia pois
permitirá:
(a) maior facilidade de acesso à informação, de publicação e partilha de
conteúdos online;
(b) maior interacção entre os cibernautas (redes sociais online);
(c) a gravação de um assunto no Podcast ou a disponibilização de um pequeno
filme no YouTube criado pelos próprios alunos;
(d) a participação num Fórum de discussão;
(e) comentar “posts”;
(f) maior facilidade de integração de vários formatos para além da escrita em
texto;
(g) maior facilidade de publicação online por deixar de exigir o conhecimento
técnico acerca de criação de páginas Web (FrontPage; Dreamweaver) e do modo como
alojá-las num servidor;
(h) realização de trabalhos online, por exemplo, em ferramentas colaborativas
como o Blog ou a Wiki (passando a estar o material produzido disponível para
toda a rede e não apenas limitado à turma).
7) Na sua opinião quais as perspectivas de futuro das WebQuest’s?
O papel educacional presente e futuro das WebQuest's estará dependente da sua
adequação efectiva a princípios educacionais defendidos na actualidade e àqueles
que futuramente venham a surgir. É esta adequação que irá garantir o seu valor
educativo.
Defendo que as WebQuest's deverão possibilitar o envolvimento efectivo do aluno
no processo de ensino-aprendizagem através de tarefas cognitivas, metacognitivas
e sócioafectivas. As WebQuest’s deverão promover o envolvimento do próprio aluno
na regulação da aprendizagem através de tarefas de planificação, monitorização e
avaliação da aprendizagem, aproximando-se, assim, de uma pedagogia para a
autonomia em contexto escolar.
Daniela Salé - Licenciada em Matemática e Ciências da Natureza (2º
ciclo do ensino Básico) pela Escola Superior de Educação de Viana do Castelo em
2005.
Professora de Matemática e Ciências da Natureza durante o presente ano lectivo
(2008/2009) no estabelecimento de ensino - EB 2,3/S de Monte da Ola - situado no
concelho de Viana do Castelo.
Actualmente, está a desenvolver um estudo que toma como objecto de análise um
grupo de WebQuest’s direccionado para o ensino do tópico “Alimentação” no 6º ano
de escolaridade do 2º ciclo do ensino Básico. O objectivo geral incide na
análise das potencialidades educativas das WebQuest's. O estudo insere-se no
âmbito da dissertação de Mestrado em Educação, área de Especialização em
Supervisão Pedagógica em Ensino das Ciências, orientada pelo Doutor José Luís
Coelho da Silva, da Universidade do Minho.