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Entrevista com a Professora
Dra. Maria Auxiliadora Padilha
Janeiro 2010
1) Como Conheceu a Estratégia WebQuest?
Quando estava fazendo minha pesquisa de mestrado, em 1999, sobre Pesquisa
Escolar na Web. Entretanto, eu tinha certo pré-conceito em relação à WebQuest,
pois achava uma metodologia muito amarrada. Com o acompanhamento de experiências
com WebQuest, contudo, fui percebendo a riqueza da proposta, dependendo, é
claro, da estratégia proposta pelo professor. Creio que é tudo uma questão de
interpretação, relacionada à concepção de pesquisa que o professor coloca em
prática.
2) O Que você acha da Estratégia WebQuest Para os Professores e Para os
Alunos?
Como já disse, dependendo da concepção de pesquisa do professor, a WebQuest pode
ser um meio de ele extravasar sua criatividade, explorando coreografias
didáticas variadas e que desenvolvam as diversas habilidades e competências dos
alunos. A WebQuest também é um excelente instrumento de planejamento para o
professor. Acho importante considerar os diversos espaços de pesquisa, tanto o
virtual como o presencial, para que as atividades sejam desenvolvidas,
articulando pesquisa na Web e pesquisa de campo. Além disso, é uma estratégia
que se adapta desde o Ensino Fundamental ao Superior e também à modalidade
presencial ou a distância. Só isso já é garantia de uma diversidade fantástica
de estratégias para esta metodologia.
Para os alunos considero a WebQuest um instrumento maravilhoso, tanto para sua
metacognição como para a mobilização de habilidades diferentes.
3) Conte-nos um pouco sobre
a sua Experiência com as WebQuests. A Que tipo de público foi aplicado? E quais
os resultados obtidos?
Na verdade, estou trabalhando em uma análise de WebQuests para cursos de
graduação na modalidade a distância, buscando propor situações interativas e
diversificadas. O desafio é que os alunos devem realizar a WebQuest, em grupos e
estudando a distância, numa perspectiva de construção do conhecimento de forma
colaborativa. A principal dificuldade é que ainda é bem difícil fazer os
professores entenderem que a WebQuest não é uma situação de ‘estudo dirigido’,
que é o que muitos propõem em suas WQ (ou o que eles pensam que seja uma
WebQuest). Ainda estamos no início, mas só o fato de se aceitar o desafio já é
um grande passo, principalmente quando uma universidade propõe como parte
principal de seu desenho didático para cursos a distância uma metodologia desta
natureza.
4) Quais as principais
dificuldades desta Estratégia?
O professor deve ser muito criativo para criar as situações de aprendizagem
de forma que a WebQuest não acabe se tornando um ‘estudo dirigido’, como já
falei. Em nossos estudos (PAIVA; PADILHA, 2009). As WebQuests como Coreografias
Didáticas na Perspectiva da Construção de um Conhecimento Crítico, Criativo e
Colaborativo, identificamos que a maioria das propostas de WQ não proporcionam
uma construção de conhecimento crítico, criativo e propositivo. Isso não
significa, contudo, que seja um problema da metodologia, mas acreditamos que se
trata, principalmente, da concepção de aprendizagem que o professor tem e, mais
ainda, da falta de compreensão que os professores têm das possibilidades
didáticas de uma WebQuest interativa.
5) O Que você acha da
integração das ferramentas da Web 2.0 nas WebQuests?
Acho que não se pode mais pensar em WebQuest, hoje em dia, sem as interfaces
da web 2.0. Tanto para os cursos presenciais como a distância. Fico maravilhada
com as possibilidades que esta metodologia proporciona para a prática docente.
Ao mesmo tempo também fico impressionada como muitos professores têm na mão esse
instrumento tão importante para sua prática e não conseguem superar as
estratégias tradicionais e instrucionistas.
6) Na sua opinião quais as
perspectivas de futuro das WebQuests?
Creio que as WebQuest se tornarão cada vez mais interativas e colaborativas.
Dessa forma, os cursos a distância serão os grandes favorecidos dessa proposta
pedagógica que deve ser apropriada com criticidade e criatividade.
Maria Auxiliadora Soares Padilha: Professora adjunta para atividades de Educação a Distância da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Possui graduação em Pedagogia (1997), mestrado em Educação (2001) e doutorado em Educação (2006) pela UFPE. Tem experiência na área de Educação, Tecnologias da Informação e Comunicação para Educação, com ênfase em Didática, atuando principalmente nos seguintes temas: Educação a Distância, tecnologias da comunicação e informação, inclusão digital, processo de ensino e aprendizagem, internet na educação, fazer pedagógico e formação de professores. Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática e Tecnológica da UFPE.