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Entrevista com a Prof. Mary Grace Martins

Julho 2009

 

1) Como Conheceu a Estratégia WebQuest?
Eu conheci por meio de uma palestra que assisti na Escola do Futuro da USP. Fiquei tão encantada que no dia seguinte (um sábado) resolvi criar uma e em seguida entrei em contato com o professor Jarbas Novelino Barato, para que ele visse e me orientasse. Na época minha dificuldade era mais tecnológica e eu não sabia direito como editar a WebQuest e enviar a um servidor. O Professor Jarbas me orientou tanto neste aspecto, como também na rubrica (avaliação).

2) Um tempo depois tive a oportunidade de participar de uma formação com o Bernie Dodge, criador da metodologia.
O Que você acha da Estratégia WebQuest Para os Professores e Para os Alunos?
Penso que é uma metodologia que pode contribuir muito tanto na elaboração de propostas desafiadoras e que de fato possibilitem que os alunos construam conhecimentos, como para os alunos que passam a desenvolver o gosto pela pesquisa e se sentem melhor amparados por uma proposta realmente orientada.
Sabemos que o grande desafio é evitar que os alunos apenas façam as tarefas para entregar ao professor e muitas vezes apenas reproduzindo informações. Quando há um roteiro, um desafio e uma proposta de algo significativo o aluno não tem como copiar e colar, pois precisa pensar e sente motivação também para isso.

3) Conte-nos um pouco sobre a sua Experiência com as WebQuests
Há 6 anos quando lecionava e também trabalhava no laboratório de informática com alunos de 7-11 anos eu cheguei a desenvolver duas WebQuests e também cheguei a apoiar professores para o desenvolvimento de suas próprias propostas.
Minha primeira WebQuest, sobre a dengue (hoje está em www.vivenciapedagogica.com.br/WebQuest/dengue foi utilizada com os alunos por meio impresso, pois a escola ainda não tinha laboratório e acesso a Internet
já a segunda, www.vivenciapedagogica.com.br/WebQuest/cortico eu publiquei na web, salvei os sites inteiros (com programas que baixavam o site da Internet) e utilizamos off-line com os alunos. Nesta WebQuest trabalhamos com alunos de 3 quartas-séries e conseguimos integrar toda a proposta as necessidades de aprendizagem previstas no planejamento das professoras. Os resultados foram incríveis, bem como o envolvimento dos alunos
Depois disso continuei a divulgar a metodologia e trabalhar o tema na formação de professores.

Há um vídeo que fiz para o ministério da Educação, sobre o tema, disponível em:

 http://portaldoprofessor.mec.gov.br/ListarMensagensForum.html?idTopico=90

4) A Que tipo de público já aplicou esta estratégia?
Alunos do Ensino Fundamental I, educadores (em cursos de formação de professores)

5) Quais as principais dificuldades desta Estratégia?
A dificuldade no caso dos professores, algumas vezes está associada a qualidade da tarefa e também na importância de detalhar o que é esperado dos alunos na rubrica de avaliação.
Para elaborar uma WebQuests é preciso planejar cada etapa e ter a preocupação de pensar de que forma o aluno vai compreender o roteiro, se está claro e até mesmo possíveis dificuldades no percurso. É muito comum perceber a necessidade de ajustes, o que é ótimo também e contribui para que o professor consiga melhorar cada vez mais suas propostas e intervenções com os alunos.
No caso dos alunos, a dificuldade vai depender da proposta de WebQuest elaborada. Quanto mais desafiadora for e maior for o sentido do que é solicitado, melhores serão as chances de aprendizagem e satisfação. Os alunos também ficam felizes quando percebem que estão aprendendo e que o que estão fazendo é relevante.

6) Na sua opinião quais as perspectivas de futuro das WebQuests?
Eu percebo ao abordar o tema que a metodologia interessa cada vez mais aos educadores, o que me deixa muito contente.
Penso que a perspectiva de futuro é envolver os professores cada vez mais para a elaboração e mesmo uso ou re-elaboração de WebQuests em parceria. Ter portais e espaços para debates sobre o assunto, reunir professores interessados em temas comuns que podem desenvolver algo juntos são possibilidades importantes e que contribuirão para a melhoria da qualidade do trabalho docente.


Mary Grace Martins: Pedagoga (USP), pós-graduada em Design Instrucional para educação on-line (UFJF), Mestranda em Educação (USP).
Consultora do portal do professor (MEC), da Fundação Victor Civita e coordenadora do Programa Aula Fundação Telefônica: Educarede e Pró-menino (Cenpec/ Fundação Telefônica). Sócio-fundadora da vivenciapedagogica.com.br e membro do conselho consultivo do Instituto Paramitas.

 

Informações Adicionais:

A professora Mary Grace também apresenta um relato que fez há alguns anos em um evento, cujo link está em http://www.cidade.usp.br/blog/educar-2005-recursos-digitais-e-cultura-de-uso-na-educacao/ (terceiro encontro))